domingo, 20 de maio de 2018

A metáfora nem sempre serve

Não sei se é comum pra você. Eu tenho uma lembrança muito ruim de ter pisado descalço em peças de lego uma vez. Muitas pessoas com quem compartilhei essa experiência tem um sentimento bastante negativo em relação a isso. Isso dói de verdade. A um certo tempo disse a mim mesmo que não seria só mais um cara bonzinho de roupas limpas, sabe aquele cara que acorda cedo pra girar a roda do capital? Então, esse tipo de pessoa. Você pode se perguntar que raios de ligação uma coisa tem com a outra. Calma, vou explicar. O dia em que pisei nas peças de lego era uma linda manhã de segunda feira e ao dar meus primeiros passos em direção ao banheiro o inevitável aconteceu. Quando acordo todas as manhãs, para ir ao trabalho, tenho essa incrível sensação de estar pisando em peças de lego. É, eu disse no título que a metáfora nem sempre serve.

Os assuntos são totalmente desconexos, eu sei. Uma vez um amigo meu me disse que organizo meu caderno[1] da mesma maneira que organizo minha vida amorosa. Deve ser por tanto ler meus cadernos que não consigo isolar ideias. Todas as coisas soam desconexas na minha cabeça. É uma coisa totalmente James Joice, só que sem genialidade.

Por incrível que pareça as coisas fazem um pouco de sentido reunidas na minha cabeça. O trabalho é um fardo, mais do que qualquer outra coisa que você pode imaginar antes da vida adulta. Você tenta repetir pra si mesmo que isso é agua. Você tem contas pra pagar, mas as coisas não podem parar. Você não deve procrastinar a sua vida pessoal. O capital não veste a sua camisa, você tem que vestir o dele por alguma razão? Acho que não.

Logo que comecei a rotina angustiante de trabalhar conheci uma moça. No fundo uma atitude cometida por ela me pareceu bem sadia em um primeiro momento. Ela tinha acabado de chegar por ali, no universo das baias, aquele lugar obscuro onde o robô esmaga. Ela ficou pouco tempo por ali e se foi. Ela desistiu do mundo dos engravatados. Tenho pensado nisso sempre. Claro que da parte dela havia um suporte dos pais, eu não o tenho. Mas que seja, não é sobre isso que fala esse texto.

O que importa é que a conheci. "Ah Eduardo você conhece muitas pessoas", o tempo todo, eu sei. Não valho nada, namoro gurias das quais eu não me importo. Beijo pessoas que nem mesmo sei o nome as vezes. Sempre tive dó das minhas namoradas. Não pelo fato de ser um cafajeste, elas sempre souberam disso. Mas do fato de nunca ter dado valor a nada.


A algum tempo parei pra pensar que nunca tive muitos amigos. No fundo ainda acho isso, vivo em um complexo de Trumam. Eu ainda acho que minha vida é uma grande mentira e que as pessoas são pagas para serem minhas amigas. Eu nunca dou valor pra nada e as pessoas nunca vão embora. Eu sei, nunca fui um bom amigo de ninguém. Afinal, eu nunca consigo enxergar nada além do meu nariz. Todo mundo sabe disso, talvez por isso eles não se importem comigo também. Quando fiz 15 anos comecei a namorar minha vizinha, e depois disso nunca mais fiquei sozinho e embora nunca tenha ficado sozinho eu sempre me vi só. Acho que nunca me importei com as pessoas que estiveram ao meu lado.

Agora que o contexto foi dado, fica mais fácil explicar o impacto que tudo vem tomando dentro de mim. Eu não quero mais ser essa pessoa. Não a pessoa que vai pra o trabalho limpinho, infelizmente eu preciso ser essa pessoa. As contas não param de chegar. Quero deixar de ser a pessoa que não se importa com os sentimentos das outras pessoas. Meu ultimo relacionamento foi uma coisa parecida com isso. Eu queria estar lá o tempo todo e foi tanto "tempo todo" estando lá que acabei tentando transformar a pessoa com quem me relacionava em outra pessoa. Eu quis ver ela "nos meus moldes". Sabe quando dizem que ninguém muda se não quiser mudar? É isso é verdade. No final de tudo eu me vi tão frustrado pois eu realmente achava que estava me importando. Na real? Eu não estava. Mas eu não consegui entender isso a tempo. Eu estava fumando afundado em metafísica o tempo todo. Esse relacionamento não tem um peso maior pelo fato de ter sido o mais recente, mas sim pelo fato de "achar que estava fazendo tudo certo". Quando isso acabou me vi impotente. Eu não parei de chorar até hoje. Sabe quando você não ouve o despertador tocar? Você vai perdendo o tempo de fazer as coisas bem feito e vai embanando tudo e levando do jeito que dá pra levar.

Tá bom, isso passou, passou mesmo. Chegou a hora de dar a volta por cima. "Nossa, mas quanto otimismo". Não dá pra ser otimista, sou Eduardo. Sabe, Eduardo o errado? Sim, essa pessoa. Agora a única coisa que pode ser feita é prestar atenção na próxima chance de não ser uma pessoa sem escrúpulos. Mas não tenho caráter o suficiente pra dizer que não vou cometer erros. Eu piso em lego todo dia de manhã. As coisas vão se acumulando. É amor, trabalho, carreira, mestrado .... Lembra do caderno? É exatamente assim. Tem tanta coisa acumulada aqui e que não consigo resolver.

Você tem ideia de quanto custa dizer um "te amo"? Pra mim a garganta trava e só consigo pensar em coisas menores do que três. Só queria uma chance de olhar pra mim em um buraco escuro, onde estão meus amigos pra fazer uma intervenção? As vezes acho que vou chegar em casa isso vai acontecer.

Tá, mas e a fêmea longíncua? Ela está lá... Ela não quer que eu mude, eu não quero que ela mude. Sabe, não quero colocar ninguém nos meus moldes. Embora eu já tenha feito isso. Sabe quando você aprende com os erros que cometeu? Eu não tenho certeza se aprendi mesmo. Por isso talvez eu não esteja pronto pra me entregar de novo. O máximo que posso fazer é ser sincero com tudo o tempo todo. Mas toda hora me pego com as "pequenas mentiras compulsivas". Tenho medo de você, sério, eu tenho. Você é bonita de mais, independente de mais. Você é tudo de mais. Você não vê nada disso, parece que é meio cega. Meio burra. Meio inocente. Meio qualquer coisa. Mas eu quero pular em você. Secar suas lágrimas com seda de baseado. Eu quero tudo em você.

Viu, eu não consigo escrever sobre uma coisa só. As coisas vão se misturando, bom... Acho que só escrevi isso pra você me entender. Mas preciso que saiba. Tenho medo de errar de novo.


1 - (poesias, mestrado, trabalho, musicas ((TUDO JUNTO. Você vira a página e não sabe de verdade o que vai encontrar)))

terça-feira, 7 de março de 2017

oração

Faço um adendo:

Oh! senhor deus
          inexistente
Se não estiver
    com dor de dente
Faça o favor 
     de responder:

"Sou meio
          demente

E não conheço
    o presidente

Mas será que nunca
    vou saber

A verdade intermitente
do poder onipresente
que exercers
    pra eu morrer?"

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Nota.

Se você parar pensar, deve ser muito complicado ser a pessoa responsável da relação. Por exemplo, enquanto você está por aí se drogando e pensando que todo dia da sua vida pode ser o último, alguém está por aí querendo seu bem e esperando que você mude.

Realmente, eu não sou essa pessoa.